terça-feira, 24 de março de 2015

Mulher brasileira em Portugal

Mulher brasileira em Portugal

Tive que esperar uma semana para escrever este post.
Primeiro, porque precisei deixar “o barro secar”. Sabe aquela história da menina que suja o vestido da outra com barro molhado, e era o vestido favorito, e a menina do vestido sujo nunca mais queria falar com a outra amiguinha, até que a mãe dela disse “deixa o barro secar”. Pois é… Tive que controlar meus instintos rsrs
E depois porque eu queria colocar a matéria na íntegra aqui no blog, e pra achei melhor esperar a revista sair da banca.
Refiro-me à revista FOCUS, que equivale à Época no Brasil.
Li a matéria inteira, com muita atenção, e concluí que a capa é muito ruim para a imagem das brasileiras aqui, e a matéria é muito ruim para a imagem das portuguesas em casa.
Imagino agora que os maridos estejam assim para suas esposas: “tás a ver? tens que gostar mais de si e parar de contar as calorias de tudo que comes!” ou “e então? tás a ver como é bom experimentar acessórios para nossa intimidade conjugal?”. E como consequência, imagino as portuguesas tendo ainda mais raiva das brasileiras… Por causa de uma matéria que, resumidamente, entitula as brasileiras como mestres de sedução e peritas em manter um relacionamento.
Vou deixar aqui a matéria, digitalizada, na íntegra, directamente da revista FOCUS, que eu comprei na semana passada.
Para ler, clique sobre a imagem e vai abrir a página digitalizada em alta, é só activar o zoom do navegador para ler todos os detalhes.
Queria saber a opinião de vcs a respeito, começando pela capa…
E eu sei que não devemos julgar um livro pela capa, mas… essa capa…
Capa Focus 565/2010
Focus 565/2010, pág 116
Focus 565/2010, pág 117

Focus 565/2010, pág 118
Focus 565/2010, pág 119
Focus 565/2010, pág 120
Focus 565/2010, pág 121
Focus 565/2010, pág 122
Focus 565/2010, pág 123
Focus 565/2010, pág 124
Focus 565/2010, pág 125
Focus 565/2010, pág 126
Focus 565/2010, pág 127

Fonte: http://banhodechuva.com/2010/08/23/mulher-brasileira-em-portugal/

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

PROSTITUIÇÃO – CORPO COMO MERCADORIA

PROSTITUIÇÃO – CORPO COMO MERCADORIA


in: Mente & Cérebro – Sexo, v. 4 (edição especial), dez. 2008

Na troca de favores sexuais, que caracteriza a prostituição, elementos sentimentais, como o afeto, devem estar ausentes em pelo menos um dos protagonistas. Nesta profissão, tida como “a mais antiga do mundo”, na grande maioria das vezes troca-se sexo por dinheiro. Mas, pode-se cambiar relações sexuais por favores profissionais, informações, bens materiais e muitas outras coisas. Ainda que muitos homens se prostituam, historicamente a prostituição feminina é mais freqüente que a masculina.
A representação social da prostituta varia segundo época e cultura; nem sempre foi acompanhada do estigma que o Ocidente lhe atribui. Nas sociedades em que a propriedade privada inexistia e a família não era monogâmica, por exemplo, o sexo era encarado de forma bem diferente que a nossa, e ao que tudo indica, não havia prostituição. Já em algumas civilizações tratava-se de um ritual de passagem praticado pelas meninas ao atingirem a puberdade; em outras, os homens iniciavam sexualmente as jovens em troca de presentes.
Além disso, a percepção dessa prática muda enormemente segundo a moral vigente. A posição social que a prostituta ocupa hoje na sociedade ocidental é tributária da visão que temos da sexualidade, algo bem diverso da Antiguidade, em que não havia a noção de pecado ligado ao sexo.
De sacerdotisas a hereges
Algumas formas de prostituição (do latim “prostituere”: “colocar diante”, “à frente”, “expor aos olhos”) já foram vinculadas a divindades, como nas primeiras civilizações da Mesopotâmia e do Egito, onde sacerdotisas prostitutas, consideradas sagradas, recebiam presentes em troca de favores sexuais. Na Grécia antiga, havia as hierodule, mulheres sagradas que ofereciam serviços sexuais em ocasiões especiais, mas não correspondiam exatamente ao que entendemos por prostitutas. Eram vistas como a encarnação de Afrodite e respeitadas pela população e pelos governantes por evocarem o amor, o êxtase e a fertilidade. Embora fossem escravas como as deikteriades (prostitutas cujos donos eram cidadãos comuns) tinham mais regalias que elas.
Na antiga civilização grega, a prostituição fazia parte da paisagem cotidiana, era um meio de obtenção de rendimento igual a qualquer outro e uma prática controlada pelo estado. As prostitutas deviam pagar altos impostos e vestir-se de forma a serem identificadas como tal. Entre as várias categorias, havia as hetairas, de grande relevância social, conhecidas pela inteligência, esperteza na administração dos bens e competência nas articulações políticas. Freqüentavam livremente o universo masculino e participavam das atividades reservadas aos homens. Trabalhavam nos bordéis do Estado, sem sofrerem qualquer represália. As hetairae eram formadas em escolas nas quais as aspirantes aprendiam a arte do amor, a literatura, a filosofia e a retórica, vindo a ser as mulheres mais instruídas da Grécia.
A prostituição era uma profissão tão rentável que algumas mães incentivavam as filhas a fazer carreira. Aspásia, por exemplo, tornou-se uma prostituta famosa e admirada pelas qualidades intelectuais a ponto de o grande Sócrates levar seus discípulos para ouvi-la – o contrário do que ocorria com as jovens destinadas ao casamento, que se dedicavam exclusivamente ao trabalho doméstico. Curiosa expressão da legendária democracia grega: só as prostitutas tinham acesso ao conhecimento.
Na cultura judaica, por sua vez, a prostituição era severamente punida; a lei mosaica previa sanções severas aos praticantes, inclusive com pena de morte. Na prática, entretanto, havia certa tolerância como o mostra a história de Raabe – prostituta salva pela graça de Deus – relatada no livro de Josué. A moral cristã sempre condenou tal prática, que também era tida como a responsável pela disseminação de doenças sexualmente transmissíveis – sífilis, por exemplo.
A partir do século XII o amor cortês passou a regular a sociedade européia. Em nome de interesses político-econômicos, as uniões passaram a ser arranjadas, não se levando em conta os sentimentos mútuos entre os parceiros, o que contribuiu para ampliar a prática da prostituição, que passou a ser regulamentada e protegida pela lei. Em muitas cortes, as prostitutas alcançaram grande poder, tendo conhecimento de questões estratégicas.
Com a Reforma religiosa no século XVI, o puritanismo passou a controlar os costumes e ditar a moral. A Igreja Católica lançou mão, então, de seu arsenal teológico para lidar com o problema de prostituição. Em conseqüência da ação conjunta das igrejas católica e protestantes, a prostituição caiu na clandestinidade sem, contudo, ser eliminada: cortesãs continuariam a existir nas cortes européias e colônias.
A Revolução Industrial trouxe um elemento significativo à prostituição, pois as mulheres tiveram de enfrentar condições desiguais no trabalho em relações aos homens. Prostituir-se em troca de favores, de melhores condições de vida, revelou-se uma opção.
Valores revistos
Os primeiros movimentos internacionais contra a exploração sexual de mulheres e adolescentes começaram no final do século XIX. Em 1921, a Liga das Nações designou um comitê para tratar o problema do tráfico de mulheres e crianças; em 1946, a ONU adotou uma convenção a fim de erradicar a prostituição. As questões tornaram-se mais agudas com a epidemia da aids na década de 80, exigindo providências urgentes e eficazes. Se as medidas profiláticas de higiene e o advento dos antibióticos contribuíram para diminuir a incidência de doenças sexualmente transmissíveis, a aids representava uma ameaça fatal tanto para as prostitutas quanto para os clientes, obrigando o poder público a intervir. Não se podia mais, sobre um pretexto moral, negar a existência de certas camadas do tecido social, ignorar o comércio marginal do sexo. Como conseqüência, ocorreu uma reorganização dos costumes e valores.
Nos últimos anos, a grande maioria dos países ocidentais adotou medidas destinadas a descriminalizar a prostituição. Alguns países europeus, como Alemanha, Países Baixos, Dinamarca e Noruega legalizaram a prostituição; em outros, como no Reino Unido, é tolerada. Em Portugal, a prostituição não é ilegal, desde que não haja incentivo para essa atividade. Na França, não é legal nem proibida, embora o proxenetismo seja uma infração.
Outros países ainda a penalizam, como a Suécia, onde vender sexo é tão ilegal quanto comprá-lo. Resultado: prostituta e clientes são punidos com até seis meses de prisão. Nos Estados Unidos a prostituição é ilegal em praticamente todo o território. Nos países mais pobres, assolados pela miséria, a prostituição continua presente e as tentativas de melhorar as condições de vidas das prostitutas têm sido ineficazes. No Brasil a prostituição adulta é legal na medida em que não existe lei que a proíba, mas é incriminada quando existir incitação pública ao ato sexual. Igualmente, o incentivo à prostituição e o comércio do sexo são atividades delituosas.
Números alarmantes
Segundo pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde do Brasil, 40% das prostitutas está na profissão há mais ou menos quatro anos, sugerindo uma ligação entre prostituição e juventude. O Centro de Educação Sexual, ONG que trabalha com garotas e garotos de programa do Rio de Janeiro e Niterói, estima que a maioria dessas pessoas se prostitui para sobreviver e guarda a esperança de encontrar um grande amor e mudar de vida.
Realidade ainda mais triste é a prostituição infantil que assola a sociedade brasileira. Presente nas camadas sociais mais pobres dos grandes centros urbanos, sobretudo nas capitais do norte e nordeste do Brasil, assim como em regiões isoladas do país marcadas por atividades extrativas, supõe-se que o número de meninas envolvidas nessa atividade chegue aos 500 mil. Entre os motivos que as levam a se prostituir destacam-se fatores econômicos e a baixa escolaridade. Em um primeiro momento, a prostituição é uma solução temporária à espera de um trabalho regular. Entretanto, devido à falta de qualificação profissional para a entrada no mercado, a prostituição permanece como a única possibilidade de sobrevivência.
A prostituição infantil ocorre em ruas, praças públicas, boates, pátios de postos de gasolina, estacionamentos, bares e restaurantes, ou até mesmo em casas especializadas, às margens dos grandes eixos rodoviários do país. Em 2006 a Polícia Rodoviária Federal recenseou mais de 1.200 locais de prostituição infantil. Junte-se a isto o turismo sexual que explora adultos, crianças e adolescentes, meninas e meninos. Segundo relatório da ONU, no período do Carnaval o sexo-turismo atrai ao país, milhares de pessoas provenientes de várias partes do mundo, sobretudo da Europa e da América do Norte. Esse “turismo” ocorre sobretudo nas áreas litorâneas de grande movimento, como em Santos e no Rio de Janeiro e no eixo norte-nordeste (Recife, Natal, Fortaleza e Belém).
O tráfico de mulheres para comércio sexual é outro grande problema a ser enfrentado. O “Relatório sobre Tráfico de Pessoas”, de 2008, elaborado pelo Departamento de Estado norte-americano, reconhece os avanços consideráveis do governo brasileiro na aplicação das leis contra o tráfico sexual interno e internacional, mas conclui que o problema ainda está longe de ser erradicado. A maioria das mulheres recrutadas sai das cidades litorâneas rumo a países europeus, em particular a Itália, Espanha e Portugal. Existem aproximadamente 70 mil brasileiras envolvidas na prostituição no exterior, a maioria entre 18 e 21 anos.
Novos mercados

O campo de atuação não cessa de expandir: nos meios de comunicação é cada maior o número de propostas de “serviços personalizados”, seja por meio de anúncios em jornais e/ou revistas (de forma explícita ou velada), na televisão, via telefone ou MSN. Nos sites da Internet, onde (quase) todas as fantasias sexuais podem ser realizadas mediante pagamento que varia segundo a extravagância da demanda, surgiu a prostituição virtual: sexo vendido por meio de imagens fotográficas, filmes, e mesmo “ao vivo”, via webcam.
Em paralelo, cresce o número de agências de encontros e de garotas de programa que adotam nomes politicamente corretos como call ou scort girls. Nesse mercado em franco desenvolvimento, circulam garotas de todas as classes sociais, algumas com formação universitária, e falando mais de um idioma. Para uma boa profissional, convidada a acompanhar executivos e empresários em festas e recepções, é fundamental que nada as identifique como prostitutas. Já para a que se prostitui na rua, a “mulher de vida fácil”, os critérios são completamente diferentes. Em vez de manter sua atividade em segredo, ela deve deixar claro quem é e o que faz para ser identificada.
A grande diferença entre as prostitutas de luxo e as do baixo meretrício, porém, não se localiza nos elementos externos (formação intelectual, beleza, etc.), e sim nas suas posições subjetivas, nas relações que cada uma estabelece com o que faz e como percebe a si mesma. As scort girls, por pertencem, na grande maioria das vezes, ao mesmo universo social que seus clientes, estabelecem com a prostituição uma relação bem diferente da prostituta do baixo meretrício, muitas vezes nem cumprimentada na rua.
Fato curioso: a prostituição se adapta às novas demandas do mercado, a despeito das mudanças de costumes e mesmo da chamada revolução sexual que, argumenta-se, teria reduzido os tabus sexuais. Então, por que os homens de hoje, mesmo vivendo uma situação afetivo-sexual satisfatória com uma parceira fixa, ainda procuram prostitutas? Que tipo de fantasia buscam viver com elas? A mesma coisa com os jovens que, graças à liberação sexual, podem iniciar a vida sexual com colegas ou namoradas, e apesar disso, continuam a buscar “profissionais do sexo” para a iniciação sexual.
É claro que não se pode dar uma resposta única e definitiva sobre o lugar que a prostituta ocupa na economia psíquica dos prazeres da cultura ocidental. Porém, justamente por ela estar à margem da sociedade encarna a possibilidade de uma sexualidade sem entraves, uma liberação sexual.
O sistema de valores que sustenta a família burguesa determina a moral sexual vigente. Historicamente, na construção dessa moral, a mulher foi “dessexualizada”, fazendo emergir a figura da “rainha do lar”. Para que a “moça de bem” se mantivesse virgem até o momento de entregar-se a um só homem, ela deveria aprender a conter seus desejos e a evitar os prazeres carnais e mundanos. Ora, os espaços da prostituição, locais dos prazeres sem limites, foram opostos ao lar, lugar de procriação. Os dois espaços são inconciliáveis; quem freqüenta um, não pode ser visto no outro. Ao mesmo tempo, ambos se atraem, pois enquanto a prostituta muitas vezes sonha em mudar de vida, casar-se e tornar-se respeitada dona de casa, sua liberdade sexual não deixa indiferente a esposa que, não raro, imagina a sexualidade da prostituta a partir das fantasias sexuais em geral a ela interditadas.
Um negócio de homens

Eis as dificuldades subjetivas para erradicar ou legalizar a prostituição: erradicá-la traria problemas, pois tal prática funciona como uma válvula de escape aos limites impostos pela moral sexual ocidental; oficializá-la seria igualmente complicado, pois corresponderia a reconhecer a falência e a hipocrisia da moral vigente.
Se, por um lado, a prostituição traz a marca de um estigma relacionado a comportamentos e práticas sexuais marginais, por outro lado, é justamente dessa marginalidade que ela tira sua força. O território de prazeres ilegítimos, que conta com a cumplicidade entre aqueles que o freqüentam, permite ao homem viver fantasias sexuais inconfessáveis, sem se sentir ameaçado em sua identidade social. Além disso, os eventuais e inevitáveis fracassos sexuais são igualmente preservados neste espaço. Existem também aqueles para quem o pagar representa uma forma de afirmação de poder, virilidade (em particular quando a performance sexual deixa a desejar), uma maneira de compensar uma insegurança ou frustrações afetivo-sexuais, etc. Mas, por certo, existem pessoas que sentem prazer nessa forma de viver a sexualidade sem maiores problemas.
Evidentemente, não se pode negar que, no Brasil, a miséria seja um dos maiores fatores que leva as mulheres à prostituição. Entretanto, atribuir a entrada e a permanência nessa prática unicamente a questões financeiras é um argumento redutor, além de misógino, pois nega, mais uma vez, o direito à mulher de escolher livremente como quer viver sua sexualidade. Ou seja, se posicionar como sujeito desejante e histórico, fazendo da prostituição uma escolha como qualquer outra.
Se não existe um motivo único do por que os homens procuram prostitutas, são insatisfatórias as tentativas de explicar a razão que leva as mulheres a optar pela prostituição: rivalidade com os homens, reconhecimento narcísico, conflitos infantis mal resolvidos, predisposições perversas, abandono pelo marido, dificuldade de criar os filhos, etc.
A profissional do sexo não existe sem o cliente. Entre eles há um movimento mútuo e complementar de oferta e demanda: é por existirem, de ambos os lados, desejos em busca de satisfação e promessa de satisfazê-los que a prostituição sempre existiu e continuará existindo, mesmo nos lugares em que sua prática seja oficialmente proibida. Todos os elementos presentes na construção do universo erótico da prostituição (local, formas de sedução, promessas, confidências, preço, adereços, vestimentas, fetiches, etc.) se misturam de forma que é impossível saber quem está realizando a fantasia de quem, embora, objetivamente, os papéis estejam bem definidos.
A prostituição sempre foi um negócio dos homens e do Estado, os quais mantiveram o controle da situação geradora de recursos econômicos à custa da exploração das mulheres, seja na figura do proxeneta, nas taxas, leis ou extorsões que as prostitutas são obrigadas a se submeter. Juntamente com a violência conjugal, o estupro, e outras tantas formas de dominação masculina, a prostituição constitui mais uma manifestação da cultura machista, pois, em certa medida, a sexualidade feminina continua sendo gerenciada pelos homens. Além disso, a sociedade que cria fiscalizações, sanções e punições às atividades de prostituição em nome da moralidade e dos bons costumes é a mesma que cria subterfúgios para manter esses serviços ativos e disponíveis quando a ocasião, e/ou a necessidade, se apresentar.
Seja como for, refletir sobre a prostituição é aprofundar o debate sobre as relações entre homens e mulheres, o que não pode ser feito sem levar em conta as questões ligadas à posição subjetiva da mulher na sociedade, em particular a da prostituta, e a hegemonia do discurso masculino dominante.
O universo dos michês
Em geral, a prostituição masculina se deve a fatores de ordemeconômica
Na Grécia antiga, a prostituição masculina, como a feminina, já existia e não era vista como algo escandaloso. Os pórnoi, “homens prostituídos”, atendiam homens e mulheres e estavam sujeitos ao pagamento de taxas nos bordéis de Atenas. Hoje, no Brasil, guias turísticos de algumas cidades brasileiras incluem roteiros noturnos às áreas da cidade freqüentadas pelos prostitutos masculinos: os michês. As razões para a entrada na profissão são quase sempre de ordem econômica. As idades em geral variam de 18 a 30 anos. Há michês homossexuais, bissexuais e heterossexuais. Muitos são casados ou têm parceira fixa.
Há os que ficam nas ruas se expondo, como produtos em vitrine. Os mais ousados, não hesitam em mostrar o pênis ereto. Outros, de classe social mais alta, como estudantes universitários, justificam a atividade para “arredondar” as contas no final do mês. Estes em geral anunciam seus serviços em jornais, revistas, nas salas de bate papo e de namoro da net, ou freqüentam saunas masculinas. Nos anúncios, a aparência física, assim como a menção do tamanho de pênis e das preferências sexuais – ativo, passivo, versátil, moderno – são fatores importantes para atrair a clientela.
Existem também os scort boys: garotos de programa ligados a agências especializadas, que se anunciam de forma discreta e personalizada. Possuem um book fotográfico, no qual a beleza física, o corpo perfeito e as qualidades intelectuais são realçadas para atender uma clientela diferenciada composta de homens de alto poder econômico. Por fim, há os michês eventuais que, quando a ocasião se apresenta, não perdem a chance de “ganharem um extra”. Fato interessante é que entre tais sujeitos, existem os que usam a prostituição como desculpa – “isso é apenas um trabalho” – para viver uma relação homossexual de outra forma intolerável a eles.
Os clientes dos michês, majoritariamente homens, são diversificados: bissexuais, homossexuais não assumidos, heterossexuais curiosos, que procuram os garotos de programa para viverem fantasias e desejos homossexuais de forma anônima. Outros, que não escondem a homossexualidade, recorrem aos michês por diversas razões: solidão, uma aventura sem compromisso, uma noite à dois, um extra à vida do casal homossexual, ou simplesmente por gostarem dessa forma de relação sexual. Casais heterossexuais também procuram os michês para que participem, como um terceiro, da relação sexual. Geralmente, o parceiro fica na posição do voyeur que observa a parceira tendo relações sexuais com outro homem.
Entre o michê e seu cliente existe, às vezes, uma cumplicidade que vai além das questões financeiras. Como na prostituição feminina, entre os protagonistas se estabelece um jogo erótico no qual fica difícil saber quais fantasias estão sendo realizadas.
A legislação brasileira
No Brasil, a prostituição existe de fato, mas não de direito.
A legislação penal brasileira não criminaliza a prostituição, por entender que ela não é um problema penal, mas social. Nem as prostitutas nem os clientes incorrem em penas. O Capítulo V do Código Penal, porém, considera crime punível com prisão induzir ou atrair alguém à prostituição, ou, ao contrário, impedir alguém de abandoná-la; criar ou manter casas ou locais para encontros libidinosos, havendo ou não intuído de lucro; tirar proveito da prostituição alheia; intermediar a entrada, o transporte, a transferência ou acolhimento no território nacional de pessoas que venham exercer a prostituição; facilitar a saída de pessoas para exercê-la no exterior.
Em 2003, o então deputado Fernando Gabeira apresentou o Projeto de Lei 98, baseado na legislação da Alemanha, que propõe a descriminalização da prostituição e o pagamento por prestação de serviços sexuais (que inclui o tempo dispensado para tais serviços, ainda que não tenham sido prestados). Em complementação, o Projeto propõe a supressão do Código Penal dos artigos que tratam do favorecimento dessa atividade, das casas de prostituição e do tráfico de mulheres.
Gabeira argumenta que a prostituição, atividade própria à civilização, nunca deixou de existir, embora tenha sido estigmatizada e reprimida, inclusive com violência. Sua descriminalização seria uma maneira de admitir a realidade, tornar possível que os serviços prestados sejam pagos e reduzir os malefícios que acarretam a marginalização dessa atividade.
Embora, sem dúvida, o Projeto traga uma discussão importante e atual, ele sofre de limitações por não levar em conta certos aspectos relativos aos direitos das prostitutas. Ademais, tal como está, corre o risco de reforçar ainda mais a indústria da prostituição, transformando as prostitutas em reféns dos empresários, os grandes beneficiados economicamente. Haveria, também, o perigo de estimular crianças e adolescentes a essa prática.
Ainda que exista um relativo consenso quanto à necessidade de descriminalizar a prostituição, o Projeto necessita de modificações, para contemplar, entre outros, direitos previdenciários, à assistência médica e à educação das prostitutas.
Para conhecer mais:
- Prostituição: artes e manhas do ofício. R. Araújo. Cânone Editorial, 2006.
- Manicômios, prisões e conventos. E. Goffman. Perspectiva, 1987.
- As prostitutas na Bíblia: algumas histórias censuradas. J. Kirsch. Rosa dos Tempos, 1998.
- A prostituição na Idade Média. J. Rossiaud. Paz e Terra, 1992.
- Prostituição: exploração sexual e dignidade humana. N. Reveron. Paulinas, 2008. 2008.

Paulo Roberto Ceccarelli*
* Psicólogo; psicanalista; Pós-doutorando pela Universidade de Paris VII; Doutor em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise pela Universidade de Paris VII; Membro da Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental; Sócio de Círculo Psicanalítico de Minas Gerais; Membro da “Société de Psychanalyse Freudienne”, Paris, França; Professor Adjunto III no Departamento de Psicologia da PUC-MG (graduação e pós-graduação).

fonte; http://ceccarelli.psc.br/pt

domingo, 19 de outubro de 2014

RESENHA: Minha culpa é te amar. Autora: Fernanda Santos Navarro

Autora: Fernanda Santos Navarro
Ano: 2014
Gênero: Romance
Editora: Multifoco

Sinopse:
Duas amigas, dois mundos diferentes, que se unem encontrando o amor verdadeiro em meio a traição. Beatriz e Alicia são diferentes em todos os aspectos, mas isso não impede de se tornarem inseparáveis. Vivendo uma linda amizade entre o cálido Rio de Janeiro e a fria Dublin (Irlanda). Até que algo muito grave acontece, colocando em risco essa linda amizade. Será que uma verdadeira amizade suportará tamanha traição?
É uma prova de fogo entre o amor verdadeiro e uma amizade sincera. Até que ponto o chegará essa amizade?

RESENHA:
Minha culpa é te amar. Autora: Fernanda Santos Navarro Sinopse: Duas amigas, dois mundos diferentes, que se unem encontrando o amor verdadeiro em meio a traição. Beatriz e Alicia são diferentes em todos os aspectos, mas isso não impede de se tornarem inseparáveis. Vivendo uma linda amizade entre o cálido Rio de Janeiro e a fria Dublin (Irlanda). Até que algo muito grave acontece, colocando em risco essa linda amizade. Será que uma verdadeira amizade suportará tamanha traição? É uma prova de fogo entre o amor verdadeiro e uma amizade sincera. Até que ponto o chegará essa amizade? Resenha: Minha culpa é te amar, livro da autora Fernanda Santos Navarro conta a história de duas amigas unidas por um amor incondicional, onde nem irmãos têm.
O que encanta na historia dessa linda amizade é a proteção que uma tem com a outra, sempre uma se preocupando com a felicidade da outra e também a telepatia de pensamentos, ao mesmo tempo com personalidades bem diferente uma da outra. A primeira coisa que me fez apaixonar pelo livro foi o título. Só que o livro me surpreendeu, é muito mais profundo que o título e à medida que ocorrem os acontecimentos mais difícil fica de parar de ler. Beatriz e Alicia são as personagens centrais. A amizade de ambas é que conduz todo o enredo do livro. Desde a história inicial de como iniciou a amizade e passando por vários desafios até o final do livro. É um livro linear, onde se tem passagem de tempo para contar a história e as batalhas de sentimentos das personagens. O livro é dividido em três partes.
A primeira parte, conta o inicio da amizade, como surgiu e o amadurecimento das duas personagens. Beatriz tem uma vida financeira tranquila, sempre consegue as coisas, seus desejos com facilidade. Já Alicia tem uma vida oposta, sempre encontrou dificuldades, mostrando que para viver a luta diária, com muito esforço e dedicação. Enquanto Beatriz sonha com um príncipe encantado, Alicia é mais realista e fria, apenas sonha com um homem rico. A autora conseguiu com muita riqueza detalhar essa diferença de vida, deixando a história mais emocionante.
A segunda parte narra como as duas foram para Europa. Essa parte do livro é quase um guia turístico, narra não só as personagens em suas aventuras pela Europa, como também mostra os pontos turísticos de uma forma bem detalhada, explicando a história de alguns pontos. Nessa parte, confesso que assustei com a amizade das duas e desconfiei de que as duas estavam se apaixonando. Mas na verdade, as duas tinham um amor de alma, então elas não tinham medo de expor essa amizade. É gostoso também de ver a reação de Alicia. Enquanto para Beatriz tudo era normal, pois a personagem não só é bem viajada, como também tem amigos espalhado pela Europa (mais na frente essas amizades é que acolhe no momento delicado). Já para Alicia tudo era novo, os lugares, a história, o clima, ela não escondia a emoção em cada viagem, em cada lugar. O Livro contém fotos de alguns lugares turísticos na qual as personagens passaram, fazendo assim que os leitores tenham a imagem do local visitado por Beatriz e Alicia. Para alguns leitores, isso pode ajudar a construir a cena, para outros isso pode prejudicar justamente atrapalhando na construção da cena. Mas nessa parte é a que mais amei, pois, fala em detalhe, sobre os pontos turísticos e um pouco da cultura da Europa, tornando o continente mais apaixonante. Mostra também a realidade do local, ou seja, que no fundo os problemas das cidades são todas iguais. Ainda na mesma parte, a autora continua contando a volta das amigas ao Brasil. Beatriz volta estranha e partir desse momento a história começa a passar por uma transformação, a amizade entre as amigas passa por alguns testes. A terceira parte conta a decisão de Beatriz em voltar a morar fora do Brasil, nessa última parte o livro é cheio de decisões, nem sempre fácil de resolver. É a partir desse momento que as personagens passam por mudanças quase radicais comparando com a vida tranquila que tinham levado até então. Enquanto Alicia engravidou e casou, Beatriz continuava sua vida europeia na casa de uma amiga brasileira na Irlanda. Outra mudança acontece no dia em que Beatriz em uma visita ao Brasil conhece os filhos e marido de Alicia. Onde ambos têm atração imediata. Assim inicia outra fase turbulenta das personagens, onde mostra até que ponto um amor proibido pode ser vivido sem prejudicar pessoas que amam. Confesso que nessa parte fiz a leitura em um dia, pois não aguentava esperar o dia seguinte para ver o que ocorreria com os personagens e a cada cena que passava, mas ficava emocionante, pois queria chegar ao final o mais rápido.
O final é claro que amei, com sempre espero nas histórias de amores com encontros e desencontros, mas com final feliz. Não consigo encontrar defeito no livro, pois a leitura foi fiel ao que sempre gosto de ler, mas, se for para falar o que senti falta no livro, eu exponho que foi à divisão por capítulos, por ser dividido somente em três partes, o livro torna-se um pouco cansativo para ler, principalmente para quem gosta de fazer a sua leitura como se fosse novela global, um capítulo por dia. Também senti falta de mais diálogo, amo livro com diálogo intenso e longo.
Porque amei:
O livro no geral tem uma linda lição de moral, a autora é bem intensa nos conflitos e consegue trabalhar com delicadeza o que realmente é valido na vida. Deixando para refletir até que ponto pode-se levar seu sentimento adiante, onde todo ato tem uma consequência. Mostra também que com Fé, não precisamos correr atrás, porque no final Deus trás quem você merece e o que você merece. O mundo gira, automaticamente quem convive no nosso meio mudam ou amadurecem, às vezes mudam para um lado positivo e outros para um lado negativo, mas saber esperar o tempo de Deus e reconhecer quando isso acontecer, faz toda diferença em cada decisões da vida. É um livro lindo que vale a pena ler. E que expõe o que no mundo de hoje esta precisando. Mostrando que o bem gera o bem, o amor gera o amor. E que tudo na vida com respeito, não só pode ser perdoado, como podemos gerar a paz. O amor é sublime de todas as formas. Basta saber conduzir o sentimento com Fé e sabedoria. A nobreza do amor não está só nas palavras, está também nas atitudes.
Porque recomendo:
O livro deixa a lição de como devemos ser sempre sábios para conduzir nossa vida, pensando no próximo sem deixar de viver sua vida, seus sonhos. Lição sobre a amizade é o foco central do livro e comovente do início ao fim.
Sem falar que se passa pela Europa, fazendo nós viajarmos com os belos lugares narrados. É praticamente um romance guia turístico. Para quem ama amizade verdadeira,viajar, ama romance e ama Europa como eu, esse livro é PERFEITO
Patrícia O. Brito Souza. Leitora apaixonada pelo mundo dos livros e romance
Rayane Caline, ai está a Resenha! Agora falta a sua, hem! bjs

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

terça-feira, 26 de agosto de 2014

A crise econômica obrigou a brasileira Elsa (nome fictício), de 28 anos, a retomar uma atividade que a fez viver "o inferno nesta terra": a prostituição.

De Madrid para a BBC Brasil

A brasileira M.S.M.A. (foto: Anelise Infante/BBC Brasil)
Elsa voltou à prostituição após o salão de beleza onde trabalhava fechar
A crise econômica obrigou a brasileira Elsa (nome fictício), de 28 anos, a retomar uma atividade que a fez viver "o inferno nesta terra": a prostituição.
Após trocar Goiânia por Madri, livrar-se de uma quadrilha de cafetões e conseguir trabalho de manicure, a falta de dinheiro a levou a um beco com poucas saídas e ela acabou voltando a se prostituir.
“Não foi escolha, foi sobrevivência”, desabafa.
Imigrante ilegal na Europa, ela chegou à Espanha em 2005 com a ajuda de uma quadrilha sabendo que iria exercer a prostituição.
O que não sabia era que estaria em regime de semi-escravidão, vigiada 24 horas ao dia e com ameaças de morte.
Fuga
Em 2007, ela fugiu com a ajuda de um cliente e recebeu ajuda psicológica na ONG Apramp (Associação para Prevenção, Reinserção e Atenção à Mulher Prostituída), que a ajudou a encontrar um trabalho como manicure e cabeleireira em um salão.
Mas em fevereiro o sonho da reabilitação acabou. “O salão fechou. Eu, sem documentação, não tinha muita chance de trabalhar. Fiz o que pude, mas sem licença de trabalho, acabei voltando à prostituição”, disse à BBC Brasil.
Elsa se emociona ao contar por que tomou uma decisão que ela define como “um passo de caranguejo”.
“Não vou mentir e fingir que virei santa, porque quando aceitei vir para cá, já sabia o que tinha pela frente. Vivi o inferno nesta terra”, diz.
“No começo, fiquei 15 dias sem trabalhar (para a quadrilha) porque só chorava e pedia para voltar para o Brasil. Nenhum cliente queria ir comigo por isso. Aí ameaçaram me matar e matar a minha família. Foi tão horrível que depois daquilo perdi o medo, a dignidade, perdi tudo”, relata.
Depois de largar a prostituição, sobre a qual a família em Goiânia nunca ficou sabendo, Elsa achava que tinha fechado um capítulo em sua vida, até ser surpreendida pela crise.
Sonho
Para ela, os 950 euros (cerca de R$ 2.500) mensais por doze horas de trabalho, seis dias por semana, num salão modesto da capital espanhola, valiam mais a pena do que o salário mínimo que recebia no Brasil.
“Todo imigrante vem com o sonho de ter uma casa, um carro, ajudar os pais... Voltar sem ter conseguido nada é duro também para a família que ficou lá esperando muitas coisas”, justificou.
Elsa, que pertence a uma família de evangélicos, e não esteve no Brasil desde que imigrou, sonha com o retorno quando puder ter recursos financeiros para comprar um imóvel e ajudar o pai a ter seu próprio negócio.
Prostituindo-se numa casa em um bairro nobre de Madri com outras onze mulheres imigrantes, ela consegue em torno de 700 euros (aproximadamente R$ 1.850) por semana.
Poderia ganhar mais trabalhando por conta própria nas ruas, mas tem medo das batidas policiais ordenadas pelo governo municipal, que considera a prostituição um “ataque à dignidade da mulher”, como descreveu à BBC Brasil a diretora geral de Igualdade da Prefeitura de Madri, Asunción Miúra.
Deportação
A lei espanhola permite a prática da prostituição, mas criminaliza a exploração de mulheres e a estadia de imigrantes ilegais. Por isso, se fosse pega na rua, a deportação de Elsa seria imediata.
“Uma política repressiva, absurda e ridícula”, disse à BBC Brasil Cristina Garaizábal, diretora da ONG Hetaira, que defende os direitos das prostitutas e afirma que apenas 5% das mulheres que praticam a prostituição na Espanha estão controladas por máfias.
Para a ONG, mulheres como Elsa estariam em melhores condições se pudessem ter garantias trabalhistas.
“Ela agora poderia estar recebendo seguro desemprego em lugar de ter de voltar à prostituição se não quisesse”, afirmou Garaizábal.
Para a brasileira, o sonho da carteira assinada é uma utopia. A maior preocupação é ficar marcada para sempre por ter escolhido uma forma de ganhar a vida.
“O pior nem é o sexo. O pior agora é a sensação de fracasso, sabe? Eu sei que vou sair disso, mas essa mancha nunca vai desaparecer da minha vida. Espero ganhar o suficiente para voltar para o Brasil, começar uma vida nova, mas sei que isso não vai dar para apagar”, observa.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/