quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Brasileiros sofrem para entrar na Espanha há anos, diz pesquisadora


11/03/2008-07h59

Brasileiros sofrem para entrar na Espanha há anos, diz pesquisadora

GABRIELA MANZINI
da Folha Online

Faz tempo que os brasileiros sofrem para entrar na Espanha, de acordo com a jornalista Dalva Aleixo Dias, que conclui uma tese de doutorado pela Universidade de La Laguna, na Espanha, sobre a imagem dos brasileiros na imprensa espanhola. "Quantas pessoas foram maltratadas antes que essas histórias mais recentes fossem publicadas? Isso só veio à tona porque, agora, há universidades por trás."
Na semana passada, dois mestrandos foram barrados ao passar por Madri (Espanha) com destino a Lisboa (Portugal). O caso detonou um mal-estar entre Brasil e Espanha no que diz respeito à imigração.
Segundo Dias, no período em que ela morou na Espanha, entre 1996 e 1999, a imprensa espanhola publicou casos de uma brasileira estuprada pelos policiais da imigração e de um brasileiro que não agüentou a pressão da investigação para entrar no país --que já durava dois ou três dias-- e se enforcou, no aeroporto.
No mesmo período, Dias afirma que teve a sua permanência no país ameaçada após um bate-boca com um funcionário do setor de imigração --ele mandou que ela voltasse "de vez" para o Brasil-- e teve a filha de 5 anos empurrada escada abaixo por um grupo de colegas de escola que, havia alguns dias, a chamavam de "porca americana".
Ela conta que os espanhóis mantêm um estereótipo de que os brasileiros ou são do mundo do espetáculo (profissionais de capoeira ou samba) ou da prostituição. "Depois de um tempo, convencidos de que eu era diferente, arrumaram uma maneira de me 'espanholar'. Eu passei a ser 'Dalba' e não 'Dalva'; 'Alexio' e não 'Aleixo'; 'Diaz' e não 'Dias'. E se você é branco e tem ascendência européia, não é considerado brasileiro. É um europeu que, por acaso, nasceu no Brasil. Daí, vale a lei do sangue."
Para Dias, o preconceito contra os brasileiros é conseqüência da péssima imagem do país no exterior. "Para eles, nós sempre fomos um destino exótico no qual nós éramos os selvagens e eles, os evoluídos. De repente, na década de 80, eles se tornaram o destino, entraram numa crise financeira e se sentiram invadidos. O imigrante, fragilizado, virou bode expiatório para justificar o que eles não conseguem resolver."
De acordo com a pesquisadora, na análise da imprensa espanhola, ela concluiu que, lá, a vida dos brasileiros "não vale nada". "Se uma brasileira é morta, ela seduziu alguém e foi um crime passional. Se um brasileiro é morto, ou ele era homossexual e seduziu alguém --e foi crime passional-- ou ele era traficante --e foi queima de arquivo."
Dias afirma que a má imagem é fruto, principalmente, de uma propaganda institucional ruim; das histórias de violência que a imprensa brasileira passa à européia; e da vantagem que os espanhóis levam no mercado turístico, quando depreciam o Brasil. "Nas ilhas Canárias, eles patentearam a marca Carnaval e contrataram brasileiros para ensinar a sambar, costurar fantasias e compor sambas-enredo. Eles, agora, dizem que têm o segundo maior Carnaval do mundo, com a vantagem da segurança."
Tratado
Nos últimos dez anos, a situação melhorou, na opinião da pesquisadora. Ela afirma que, cada vez mais, os imigrantes deixam de ser vistos como "ladrões de empregos" para serem vistos como fator de impulso para a economia. "Com a entrada do capital espanhol no Brasil, nós viramos parceiros. E o Brasil tem crescido em questões políticas, diplomáticas."
O primeiro passo para a solução do problema, para a pesquisadora, seria a criação de um tratado de tratamento de imigrantes. "No Brasil, nós fazemos um esforço absurdo para falar no idioma deles, para que eles nos entendam, para que se sintam em casa. Não somos cordiais, somos quase servis. Quando chegamos lá, se você não conhece bem o idioma ou os costumes do país, eles simplesmente nos viram as costas."
Para Dias, os brasileiros não podem continuar sem proteção. "O governo precisa estar mais atento para defender os cidadãos, onde quer que eles estejam."

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Brasileiros discriminados na Europa


Lúcia Jardim

Direto de Paris

Embora haja dúvidas sobre a versão da advogada Paula Oliveira, supostamente atacada por três neonazistas na Suíça na última segunda-feira, brasileiros residentes na Europa afirmam que o preconceito contra eles é quase diário. Mais comuns, os casos dos deportados nos aeroportos da Espanha não necessariamente são os mais frustrantes para quem cruza o Atlântico.
No caso mais grave encontrado pela reportagem, um brasileiro com cidadania italiana foi acusado por um homicídio que não cometeu, durante uma estada de cinco dias no sul da Suíça. "Foi a pior experiência da minha vida. Tenho dificuldades até hoje de lembrar deste dia", relata Casagrande, que prefere não ter o nome completo divulgado.
Segundo o imigrante, que mora há 20 anos na Europa e há seis estabeleceu residência na França, a polícia o acusou apenas porque ele não era da região em que o tal crime havia sido praticado.
Casagrande estava de passagem por Lugano, na Suíça, onde pensava em morar depois de não agüentar mais o preconceito que sentia havia 10 anos na Itália, apesar de ter cidadania do país.
Ele contou que, ao ingressar na casa de uma amiga brasileira, foi abordado por policiais suíços que o acusavam de ter matado uma mulher naquele mesmo dia. "Eles nem quiseram me ouvir. Agarraram, algemaram, levaram para a delegacia e lá tiraram toda a minha roupa", contou. "É uma indiferença completa com o estrangeiro como eu nunca vi igual."
O último relatório do Conselho dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a Suíça, de 2007, denuncia "um dinamismo xenófobo e racista" no país.
Na época, o observador da organização, Doudou Diène, havia ficado espantado com o aumento exacerbado das preocupações ligadas à segurança, precisamente sobre o quanto os suíços relacionam os problemas de violência aos imigrantes estrangeiros.
Casagrande, que hoje tem dois filhos com uma francesa e mora na cidade de Bar-sur-Aube, só foi libertado pelos policiais oito horas depois, quando o verdadeiro assassino, suíço, confessou o crime. "Nunca mais boto os meus pés lá. A França também tem seu lado de preconceito, mas nada se compara à Suíça ou à Itália."

Liberdade, igualdade, fraternidade
Mas, para outros brasileiros que vivem na França, o país - berço dos Direitos do Homem - também não parece ser o lugar ideal para um estrangeiro viver. Por causa do preconceito que sofre no local de trabalho, a médica Juliana conta os dias para que a sua residência em um hospital parisiense termine. Há quatro meses morando na capital francesa, a jovem de 27 anos ficou espantada com as demonstrações de racismo dos colegas médicos franceses.
"Simplesmente eu não imaginava que no país onde foi criada a célebre frase 'liberté, égalité et fraternité' (liberdade, igualdade e fraternidade) e, portanto, culturalmente desenvolvido, houvesse tanto racismo, disfarçado ou não. Sofro diariamente no hospital", afirmou Juliana. Ela conta que tem de suportar agressões psicológicas dos colegas, "pequenos episódios diários de ridicularização e comentários cheios de ironia".
Conforme a médica, os residentes franceses não sofrem qualquer discriminação, mas ela e os outros estrangeiros são constantemente alvo de deboches, além de serem responsáveis pelas tarefas menos importantes durante o curso.
"Sou uma imigrante temporária. Graças a Deus, tenho data para voltar para casa",a firmou. "Mas, se não tivesse, tenho certeza de que seria tratada com ainda mais hostilidade."
Em geral, o problema não parece ter relação com a nacionalidade do estrangeiro e os brasileiros são tão visados pelos contrários à imigração quanto pessoas de outras origens.
Na França, por exemplo, o repúdio aos árabes com descendência magrebina - onde ficam boa parte das ex-colônias francesas - normalmente é bem maior do que às demais origens, assim como na Espanha a tolerância aos latino-americanos tem sido cada vez menor. No Reino Unido, até mesmo os poloneses começam a incomodar os britânicos.
A esperança de que ter fisionomia européia e boa condição social poderão evitar problemas na imigração não necessariamente se concretiza. Tatiana Dias, 30 anos, moradora de Zurique (Suíça) há dois, reclama que o sotaque estrangeiro é motivo recorrente para que seja menos bem tratada que os suíços, seja numa loja, num ônibus ou mesmo na rua.
A aparência discreta, a pele branca, os cabelos loiros e seu bom emprego não a livram do preconceito. "Eu abro a boca e já começam a me olhar diferente. Tenho a impressão de que só o sotaque já os irrita. Quando atendo ao celular em um ônibus, as pessoas ao redor imediatamente começam a me olhar com impaciência", diz Tatiana. "Uma vez, eu passeava tranquilamente em uma loja e me passava por qualquer suíça. Foi só começar a falar em espanhol com uma amiga que as vendedoras passaram a nos seguir pela loja. Um horror!"
E quem pensa que ao morar em um país lusófono os problemas estarão terminados, se engana. "Os portugueses são extremamente xenófobos", atesta Liliane Alves Fernandes, que há um ano faz estudos de mestrado na Universidade de Evora, no sudeste de Portugal.

"Sou completamente ignorada em uma loja desde que abro a boca e percebem meu sotaque. Não tenho sequer uma amiga portuguesa", disse Liliane, que decidiu falar sobre o problema com outras amigas brasileiras e descobriu que todas passavam pela mesma situação. "Para completar, tenho um namorado português que somente há pouco tempo apresentou-me aos seus pais, por ter medo que eles me insultassem ou me menosprezarem."O que mais a espanta, no entanto, é a imagem das brasileiras para os lusos. "Em Portugal, duas ou mais brasileiras juntas é sinal de casa de prostituição. Já me ofereceram dinheiro e tudo", contou. "Na televisão, os portugueses traduzem cenas envolvendo homens que vão a casa de prostituição como 'vamos às brasileiras'."


 
http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3576206-EI306,00-Preconceito+e+rotina+dizem+brasileiros+na+Europa.html
fonte TERRA


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Vida Fácil(?) Fernanda Santos: Sou poetaSou poeta no que sinto.Sou poeta no que p...

Vida Fácil(?) Fernanda Santos: Sou poetaSou poeta no que sinto.Sou poeta no que p...: Sou poeta Sou poeta no que sinto. Sou poeta no que penso. Na maneira como vejo o Mundo, A escuridão da Noite, A luz da lua ...
Sou poeta
Sou poeta no que sinto.
Sou poeta no que penso.
Na maneira como vejo o Mundo,
A escuridão da Noite, 
A luz da lua reflectida nos teus cabelos
 E o brilho dos teus olhos...
Sou poeta na maneira como te olho 
E te tenho mesmo sem te ter...
Sou poeta mesmo sem ser!
Sou poeta às vezes, 
Sou poeta sem o saber. 
Basta olhar-te. Basta sentir-te.
O teu toque, O teu cheiro...
Para ter a poesia no meu mundo.




                                                                       Rita Dias

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Meu livro

Existem inumeras pessoas vivendo fora de seu país a procura de realizaçoes pessoais e melhores condiçoes financeiras, mas nem sempre encontram o que buscam. Muitas vezes encontram apenas sofrimento e dificuldades em viver dignamente sem passar fome londe de casa.
Parece mentira, mas é a mais pura verdade. Brasileiros estao mendigando o pao para sobreviver na Europa, principalmente aqueles que nao tiveram a chance de legalizar seus documentos e andam ilegais, sem poder trabalhar para conseguir se manter.
Agora com a crise que se faz na Europa ainda se torna pior a vida dos nosso patricios, pois mesmo com vontade de regressar ao seu país, se sentem impossibilitados por falta de dinheiro ate mesmo para pagar o bilhete de regresso.
Falamos disso com mais tempo.
Abraços.
Fernanda Santos Navarro

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Quando um Imigrante se torna um Estrangeiro na sua própria Terra!



Por Raimundo Delgado

Ter que imigrar é um crime. Enquanto que, nós, imigrantes, nos consideramos privilegiados porque imigramos, o custo para o nosso bem estar é incalculável. Ninguém devia ter deixado o torrão onde nasceu.
Examinemos o preço que todos pagamos quando abandonamos a nossa terra. Cortados foram todos os nossos laços com família e amigos. A nossa alma tornou-se dividida em pedaços. A nossa busca para melhorar as coisas é constante.
A luta para sentirmo-nos completos nunca acaba. É uma luta constante sempre a desejar que estivéssemos noutro lugar. E quando regressamos brevemente à nossa terra, o nosso espírito busca a nossa segunda casa, a família e amigos que deixamos atrás. Alguns regressam à terra de origem permanentemente e encontram-se num estado de confusão, angústia e desejo de estar com os seus familiares na terra adoptada.
“Nunca devíamos ter saído da nossa terra, a nossa querida Ponta Delgada”, diz regularmente minha mãe, que conta 86 anos de idade. A dor de ser uma expatriada, de ter que abandonar a sua igreja, a Matriz, a casa e o prédio da família, amigos é ainda difícil de engolir.
Enquanto que alguns podem considerar isto uma perspectiva ingrata para com um país que providencia oportunidades económicas, a questão não é dinheiro, uma casa, ou até mesmo um trabalho, a questão é imigrar em si mesmo. Enquanto que milhões atravessam fronteiras sem documentos em busca de melhor vida, o preço é alto demais para abandonar a nossa terra.
O pior é quando andamos nas ruas e bairros da nossa terra de origem, a aldeia que nos viu nascer, e todos olham para nós como se fossemos estrangeiros. Isto é um verdadeiro crime, o facto que nos tornamos estrangeiros na nossa terra. Na realidade, um imigrante não pode regressar à sua terra.
Não existe nada mais triste como as olhadelas dos nossos compatriotas que nos consideram como forasteiros. E na terra adoptada sabemos e sentimos que não pertencemos. Sentimos pressionados para mudar os nossos nomes. Para dar nomes aos nossos filhos que sejam aceitáveis à nova cultura e língua.
Sentimo-nos forçados a derretermo-nos numa panela imaginária de todas as raças que não existe, mas vive na cabeça daqueles que se consideram superiores porque nasceram no país de acolhimento.
Ninguém deve ser culpado. O crime foi cometido quando abandonamos, há muito, a nossa terra, para a qual jamais regressaremos.
Apesar de tudo, nenhum de nós, imigrantes, com ou sem passaporte americano, devia ter vindo. A nossa terra teria beneficiado com o nosso suor e com a nossa vontade de vencer. Apesar da doença que nós imigrantes sofremos, milhões imigrariam para cá, ou outros países de oportunidade, sem pensar duas vezes.
A luta, a dor, e a ideia que somos estrangeiros e estranhos na terra que dedicamos à nossa vida, e onde seremos enterrados, é demasiado para suportar.
Imigrar é um crime que mata a nossa alma, embora a grande maioria considera imigrar uma bênção. E isto é uma triste dicotomia, é uma contradição inerente para aqueles que pensam que ser um imigrante é algo que se deva escrever à família, porque nós não temos mais um torrão que possamos dizer que é nosso.
Podemos ter um telhado sobre as nossas cabeças, mas tornamo-nos vagabundos na terra dos imigrantes. Vivemos no estrangeiro como nómadas no deserto.
A diferença é que eles sabem onde estão e para onde vão enquanto que nós buscamos o nosso lar constantemente. Não é o lugar que nos viu nascer, nem o lugar onde dormimos todas as noites.
New Bedford, Massachusetts, USA
25 de Dezembro de 2010

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Meu livro a venda

Quem quiser adquirir um exemplar pode me pedir por email via correios
Quem estiver em Guapimirim ou em Magé pode comprar na Livraria Oli Gospel, em frente ao semáforo de Guapimirim ou na Livraria Kerígma em Magé.
email fernandasantosnavarro@hotmail.com

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

http://ppaberlin.wordpress.com/2011/09/21/1358/
Uma das grandes frustracoes e estresse de nossas conterraneas brasileiras na Europa é quando se deparam com o estígma que ronda a mentalidade machista e xenófoba que grande parte dos homens europeus tem sobre a mulher brasileira.  A idéia já cristalizada de que toda brasileira está sempre disponível, hipersexualizada e presa fácil. Isso vem acarretado muitos problemas e conflitos e mesmo gerando  agressoes simbólicas, psicológicas e físicas. E essas agressoes se dao na esfera privada, pública e nos meios de comunicacao. Muitas denúncias e acoes sao realizadas pelos movimentos de mulheres,  além de solicitacoes de apoio às entidades locais e representacoes brasileiras. Hoje de manha recebemos o Manifesto das mulheres de Portugal, que retrata fielmente a situacao que estao sofrendo por lá e que pode ser extendido para praticamente para toda a Europa. Os problemas já podem comecar nos aeroportos em que desembarcam. Estamos nessa luta contra esse estígma machista, sexista e xenófoba e muitas das vezes racista e neocolonial que se abate contra as mulheres brasileiras por aqui – Ras Adauto Berlin

domingo, 16 de outubro de 2011


Crianças brasileiras são perseguidas na Espanha

16 abr
Denúncia de ataque acende debate sobre xenofobia

Uma denúncia de agressão a duas crianças brasileiras em uma escola de Madri reacendeu na Espanha a polêmica sobre xenofobia nas instituições de ensino do país. A empresária paulista Mônica Patusca afirmou que seus filhos, Carlos Henrique, de 12 anos, e Ana Karina, de 9, foram alvo de agressões físicas e xingamentos racistas por parte de outros alunos do colégio pelo fato de serem estrangeiros.
O caso ganhou destaque na imprensa espanhola e levou o governo da Espanha a reconhecer que estudantes imigrantes são alvo de xenofobia nas escolas do país. Mônica, que mora com os filhos na Espanha há quatro meses, disse que Carlos Henrique “chegou em casa com as pernas roxas várias vezes”, afirmando ter sido agredido por um grupo de garotos da própria turma, da 7ª série do colégio Enrique Tierno Galván, em Madri. Segundo ela, o filho está fazendo tratamento psicológico para suportar “uma perseguição xenófoba que acontece desde o primeiro dia de aula, com xingamentos e violência física”.
Mônica contou ainda que chegou a prestar queixa na polícia com um boletim médico, mostrando que a filha sofreu agressão física durante o recreio. Ela também pediu ajuda ao consulado brasileiro em Madri, que mandou uma carta à escola relatando a reclamação da mãe dos alunos. Segundo a empresária, que mora em Madri com os filhos desde dezembro de 2008, o colégio não tomou providências. A diretora Elena Maria Perex disse que a instituição “não faz declarações à imprensa”.

Pesquisa
A denúncia de Mônica trouxe de volta ao país a preocupação com casos de xenofobia nas escolas espanholas. Um relatório de especialistas em educação e sociologia confirmou recentemente a situação vulnerável dos estudantes imigrantes. Segundo o informe do Observatório Estatal de Convivência Escolar – feito pelo Ministério de Educação no segundo semestre de 2008 – há grandes índices de rejeição dos estudantes espanhóis em relação a alunos estrangeiros.
Baseado numa pesquisa feita com 23.100 estudantes e seis mil professores do Ensino Fundamental de 300 colégios, a conclusão é de que os alunos espanhóis são pouco tolerantes para com os imigrantes. Quase a metade dos consultados, 46%, diz que prefere não fazer trabalhos escolares com companheiros latino-americanos. Dois terços dos alunos afirmaram ainda que optariam por não estudar ao lado de ciganos, judeus ou marroquinos. Dos coletivos de imigrantes, os únicos bem-vistos são americanos e europeus ocidentais. Segundo o ministério, o estudo tem como objetivo revelar as barreiras existentes a um convívio pacífico entre estudantes imigrantes e espanhóis, e criar “novas bases para resolver o problema”.
Mas os autores do relatório admitem que a política de integração está falhando.
“Os coletivos imigrantes estão sob um grande risco de sofrer intolerância em seus âmbitos de atuação e, o que é mais grave, não houve melhora alguma dos últimos anos para cá em nenhum dos métodos de integração e informação”, disse a diretora do informe, Maria Diaz-Aguado, catedrática de Psicologia da Educação da Universidade Complutense de Madrid.

fonte: http://avozdoimigrante.wordpress.com/